Le parfum de la Renascence
Prólogo
Go easy go easy go easy….
Uneasy;
Have stumbled
Have fallen
None listened... have gone
Easy... Go easy...
Carros
cruzavam a avenida. A noite se encerrava para os trabalhadores que voltavam
para suas casas e suas famílias.
Ele por sua vez não voltava para casa. Os amigos
estavam agitados falando de uma nova casa noturna que tinha aberto haviam
aproximadamente uns dois meses. Todos
diziam a mesma coisa, o quanto de mulheres que iam ali e sobre o conteúdo
erotizado que a casa possuía.
Chamava-se
Crimson Violet e tinha como símbolo uma violeta vermelha sendo beijada por um
par de lábios rubros.
Rafael
ergueu seus olhos cinzentos para o layout de entrada, na fila que dava acesso a mesma, querendo ter
voltado para casa e se trocado ao menos... Ainda estava com as roupas de peão:
jeans surrado, camiseta branca sem nenhum dizer atrativo que fosse e tenis
preto.
Seu
trabalho era braçal, empresa de peças de veículos e ele todo dia carregava
pesos e lidava com o suor da sua testa... Por isso o banho seria agradável.
–Desmanche
essa cara homem – Um dos amigos falou aos risos, enquanto contava o dinheiro.
–Isso
aí Rafael, vamos aproveitar que o dia de pagamento foi hoje, tu é solteiro e
mora sozinho cara, para de preocupação besta. –Um outro respondeu
Rafael
suspirou, não é que não estava animado,
mas de fato estava meio constrangido... Considerava-se um rapaz tímido em seus Vinte
e Três anos de vida e tinha toda uma preocupação com sua aparência, ainda mais
rodeado com tantas mulheres bonitas.
–Vocês
deviam ter me deixado ir pra casa ao menos tomar um banho.
–Ih,
nada, conhecemos você seu bicho do mato –Alguns riram alto com o comentário –
Parece que tem um imã na sua cama que te prende nela!
–Eu
chego cansado sabia, vocês mais do que ninguém deviam saber disso.
Resmungou
com as risadas dos colegas, enquanto a fila andava. Aqueles homens que compartilhavam da mesma
lida dura nunca ficavam cansados? Ou era a necessidade de uma “Femêa” que os
deixava tão animados...?
“Como se essas coisas
feias fossem conseguir alguém”
Pensou
resignado, os amigos não o deixariam ir embora, nem se ele quisesse... O que
restava era tentar relaxar e sair quando desse.
Passado
alguns minutos, quando faltava pouco para entrarem, Rafael sentiu um perfume
diferente no ar... Era uma mistura que ele nunca havia sentido, tinha um toque floral e algo amadeirado... forte e
suave ao mesmo tempo. Ele farejou o ar quase como um cachorro e sentiu todos os
pêlos de seu corpo se eriçarem em resposta. Era como se algo nele fosse
desperto e ele procurou a fonte daquele cheiro.
–Que
foi Rafael? –Perguntou um dos rapazes, vendo-o farejando o ar daquele jeito –
Tá parecendo um cachorro hahaha!
–Você
não tá sentindo esse cheiro?
–Que
cheiro?
–Esse...um
perfume... acho que é o perfume mais delicioso que já senti na minha vida.
–Hum...
as meninas na nossa frente estão perfumadas mesmo.
–Não..não
vem delas... eu não sei de onde vem... Mas é.. incrivelmente delicioso...
–Ahaha
vê se não se apaixona por um cheiro heim... Vai que é de homem!
–Não..
Isso é perfume de mulher... cheiro de mulher...
–Cuidado
que pode ser um viado heim, daqueles de salto alto até, travecão! –Riu um outro
amigo.
–Mas
vá! –Ria um outro, observando Rafael –De repente é um Traveco bonito, tens uns
que são mais bonitos que muita mulher por aí!
–Oh lá
o cara? Tu catava é?
–Quem
sabe, nunca diga nunca nessa vida –Falou rindo em tom de brincadeira, os amigos
de Rafael riam todos ao mesmo tempo.
–Não...
De alguma forma eu sei que é mulher – Rafael comentou, sentindo ainda o perfume
tentador em suas narinas.
A fila
andava mais uma vez e a fragância que tanto mexera com Rafael parecia ficar
cada vez mais forte... Aquilo era muito estranho, parecia...
“Isso está me
excitando... mas o que diabos....”
Respirou
fundo, precisava beber água... molhar os lábios, ou alguma coisa... Para ajudar
a fila parecia levar séculos para andar agora. Respirou fundo novamente, aquilo
o embriagando... O que diabos de fato era aquilo que mexia com seu corpo? Seus
pêlos, seu membro...
–Nossa! –Um dos amigos exclamou chamando a atenção de
Rafael – Eu não sou fã de gordinhas, mas aquela ali eu pegava...
–É
mesmo, a que está parada perto do carro preto? –Complementou outro – Bonita
mesmo não é?
E
Rafael moveu seus olhos e viu uma mulher alta, de pele branca, longos cabelos
negros cacheados caindo em cascata. Usava um vestido longo, decotado de mangas
curtas na cor creme, com delicadas rendas na região das mangas, saia e
decote... E que decote diga-se de passagem... Ela era como o amigo mencionara,
cheia de curvas muito fartas e seios mais fartos ainda. Muitas pessoas a
considerariam gorda, ele assim achava, mas ele não soube explicar... Ela era
uma mulher muito bonita e estava vindo na direção deles em passos firmes num
salto alto preto, pela parte de fora do cercado da fila que continuava a seguir
lentamente.
A
mulher de intensos olhos castanhos amendoados e longos cílios negros passou ao
lado deles, seguida de mais duas amigas. Ela tinha uma expressão séria e calma
ao mesmo tempo, enquanto as amigas sorriam e riam em suas frivolidades de
mulher, porém antes mesmo daquelas três mulheres passarem por eles, Rafael se
arrepiou completamente mais uma vez.
O
cheiro que sentia até então ficou mais forte, mais intenso, mais pertubador a
ponto de criar um volume na calça jeans surrada que usava. O cheiro vinha
examente daquela mulher, que ao passar ao lado dele, pode sentir seus olhos se
cruzarem.
Eram olhos muito, mas muito intensos, pareciam ter
a iris contornada de negro e pintada de um tom ambar cristalino, com uma maquiagem escura, esfumaçada que
apenas ressaltava a beleza e o poder daquele olhar que com cílios longos,
piscaram galantes com o choque dos olhares.
Durou
menos de um segundo, mas ele viu a mulher sorrir. Era um sorriso para ele?
Ela
continuou seus passos firmes até parar em frente a um dos seguranças da casa,
que a cumprimentou com um sorriso, enquanto muitas outras pessoas olhavam-na
com certa curiosidade.
Ela
ergueu um das mãos, delicada, gordinha, pequena para ele e o homem a beijou nas
costas da mão, como naqueles filmes antigos de época e abriu passagem para ela.
As
meninas que a seguiam soltavam risinhos para o segurança que apenas sorriu de
volta vendo que elas desapareciam para dentro da casa...
–Devem
ser Vips –Um amigo comentou notando o jeito que Rafael estava – Gostou de algumas
delas?
–Uhun...
A mulher de vestido claro...
-Ah a
gordinha, eu gostei mais da morena baixinha, tinha uma bunda que pelo amor dos
meus filhinhos que um dia eu ainda vou ter – Falava rindo debochado, o amigo
que ainda achava engraçado o jeito que Rafael estava.
Os
outros amigos riam dando tampinhas em Rafael para andar, a fila estava andado
novamente.
–Quem
sabe lá dentro a gente não esbarra nelas?
–É...
Quem sabe... – Rafael falou com um sorriso de canto – Quem sabe...
Respirou
fundo, como se ainda pudesse sentir aquele perfume e soltou o ar sofrego pela
boca. Nunca, em toda sua vida ficara excitado com uma mulher só pelo cheiro...
Ainda mais sem sequer tê-la visto primeiro...
A noite
prometia ser no minímo interessante...
Lunnari
2012





























